
Ora o que é que sucede? Sucede que eu já me passeei por algumas lojas que orgulhosamente exibem a nova colecção Outono Inverno. Cabides altivos exibindo peças de cabedal, tecidos grossos, dourados e prateados,
animal prints, agasalhos de corte militar que põem tudo em sentido só de olhar. Acontece que, apesar de este verão não ter puxado dos galões e não ter posto toda a gente a dar mergulhos na fonte do Rossio, é Verão e como tal não é suposto vestir roupa quente... nem que seja só para experimentar. Porque fazer isso seria como se estivesse a dar uma facada neste meu matrimónio com o tempo quente.
"Gosto tanto de ti, Verão, mas esta roupa quente, nova, toda gira... queria experimentá-la, só para saber como é, tê-la vestida... Foi um encontro sem importância num provador lá ao fundo. Não significou nada para mim, Verão. É a ti que eu amo...!"
Ceder às tentações da roupa de Outono Inverno nas barbas de Agosto, não! E como é que essas pessoas das lojas, que são más pessoas, nos tentam ainda mais? Põem o ar condicionado a bombar temperaturas siberianas!!!
Senhores de lojas cujo nome não vou dizer, sabem o que é que eu fiz, sabem?! Não me deixei tentar! Saí da vossa loja! É claro que espreitei as novidades, a bater o dentinho por causa do frio, mas não experimentei nem uma camisolinha para amostra!
Já fora do antro da tentação, dirigi-me ao café mais próximo. "Era um cházinho bem quente, sff. Não faça essa cara. Eu sei que estamos em Agosto! A culpa é da Zara." Pronto, já disse.